terça-feira, 12 de junho de 2012
não conseguem calar
Tinha um riso farto
todo todo murcho
um jeito infeliz
de quem é amada
e uma companhia
quase desejada.
Quase se desejam -
antes abusam um do outro.
Por conveniência
diz-lhe que é profundo
- provavelmente
falava do tédio
Papo de alcova
surge quase nada
hora ou outra até esboçam uma risada
cansaço trabalho tempo tédio
sono.
Covarde fode rápido
diz que foi
gozou mais de uma
e chorando pela covardia
de ter sido quase
dorme.
Não quer acordar.
quarta-feira, 4 de abril de 2012
E quando não restar saída solução
ou sanidade
Deus livre da pretensão de ser inesquecível!
contente de si sendo memória.
refluxo do eterno e fragmento de vida. recorte.
lembrável, é verdade
mas também
esquecível.
quarta-feira, 7 de março de 2012
I
Poetas não se vestem de poeta
como médicos que saem a trabalhar
cheios de si em
trajes brancos .
Poetas não se vestem de poeta
como fazem os juristas
pomposos em
roupas abestadas .
Não se vestem de poeta
com a gente
simples
em uniformes - cara do patrão, cara da empresa .
Muito menos se vestem de poeta
como os ansiosos pelos ditames da última
moda .
Não, poetas não .
II
Poetas não se vestem de poeta
porque a sombra do cajueiro
era o repouso mais agradável do
CCSo e em seu lugar
construíram uma rampa
porque sentar na ágora do
CCH te faz parecer mais sábio
porque, até hoje, a PedeGinja
nunca tocou na UFMA ...
Poetas não se vestem de poeta
porque as rodas-de-samba sempre
são redondas no quintal lá de casa
porque as noites no INCULCAAR
sempre serão mágicas
porque as Confrarias vão rolar até que
no horizonte
o céu se distingua do mar ...
Poetas não se vestem de poeta
porque teu andar de lado
pulante e altivo
se tornou fotografia
porque a fita lilás em teu braço forte
te faz parecer frágil
porque os lençóis suados e quentes
ainda exalam nossos odores ...
Poetas não se vestem de poeta
porque ______________________________
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III
Poetas saem às ruas .
ou ficam em casa .
nus .
quinta-feira, 1 de março de 2012
Passara tanto fluxo
tanto sentimento
e foram só uns quatro tempos
Uns quatro mil
momentos
para não enquadrar
o tempo
em dias que me atormento
E quanta poesia
quanto afago
visitei
E quanto tuas danças
me embalam as lembranças
E todos os teus laços
que desato a sorrir
e todos os instantes
que vivi dentro de ti
Passara tanto fluxo
e tanto sentimento
enfim,
só foram quatro
tempos
.
quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012
Que lugar ingrato!
Que lugar canalha!
Eu que te falo
eu que te vejo
e tu que parada me tem
em mãos.
Que lugar canalha!
que lugar ingrato!
E se calo
teu silêncio môco me perturba
mais do que qualquer carão.
Sou eu o lugar de tua carência
de teu segundo frágil que não volta em dias
do vácuo doído que o outro deixou...
-É tudo pouco pelo meu sossego!
Eu quero o desejo castrado
que te faz formigar
quero ser o motivo
de tua insônia constante
quero o vôo mais alto
que teus pensamentos!
Voa comigo
e não falo nada em vão...
Vem, que calo um silêncio
mais sábio que todos os monges da terra
que todos os poetas da ágora
- Que todas as almas depenadas de paixão!
Mas tem que vir
e me dar a mão
ou, então, me enterra de vez
neste lugar
ingrato!
