quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012
por um distanciamento racionalmente... apaixonado
Não há de falar nada.
Só o silêncio basta
pra ouvir se a voz ainda afirma
-desejo!
Só o silêncio basta
para saber se a boca paraliza
ao lembrar de teu beijo.
O silêncio basta
se lá
longe onde tu não anda
alguém se esquece de ti ao cruzar a esquina.
Basta.
É novo
paga por tagarela
ansioso.
Também há silêncios que
precisam ser ditos.
Mas usa tanta palavra
pelo prazer de falar, sentimental.
Não foge da ratio...
Não foge da raia...
E cala!
Pois há dias de falar nada.
quinta-feira, 12 de janeiro de 2012
Corre, corre, corre
Mente obnubilada
Corre
Sente o peito
O ar
Iansã que entra cheia de vigor
Pelos teus pulmões corroídos de tabaco
Corre
Que a vida é mais bonita em endorfina
Corre que é melhor do que parar
Corre por nada
e pela vida inteira,
até amanhã.
Corre
E tropeça na cidade desengonçada
Com jeito de quem quer ser grande
Corre
E esbarra na serpente
Fedendo a merda na lagoa da Jansen
Corre por tudo
E pela vida inteira até amanhã
Contrai o futuro
Estica o presente
Corre com o sol ardendo as moleiras,
sente o peito
e o ar recém-poluído
Corre, corre
Pro carnaval chegar magro
E a folia chegar gorda
Corre
Para transcender o mundo
Com os pés no chão
Corre
para sentir em ritmo e compasso
A própria respiração
Corre, corre, corre
Por qualquer coisa
E pela vida inteira,
até amanhã.
Até chegar iansã
cheia de vigor pelos teus pulmões corroídos de tabaco.
terça-feira, 3 de janeiro de 2012
Ê, Negro banzo!
Que come pouco, rapaz
Já não tem mais fome...
E quase não bebe, ó nêgo,
tu é das cachaça!
Ê, Negro banzo!
Que calou teu pinho, rapaz
Cadê tua viola...
E que canta rouco, ó nego,
Tua voz é limpa!
- Tem braço forte, furinhos nas costas,
rendeu sol e lua e ainda quer voar.
Aquela moça, cumpadi,
Não tem nem diabo
que se preste a zelar.
Xiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii
Ê, negro banzo!
Bendita seja a moça,
que é das mais prendadas,
e deus há de guardar sua saga.
Agora de ti,
Que banzo nada.
Tu não faz assim,
Tu não é assim,
Tu é mais pra frente!
segunda-feira, 2 de janeiro de 2012
Querida,
preciso, de fato,
voltar a escrever.
Teus atos mastigam
Neurônios sem pena.
Em livres gestos, palavras
silêncios
-Agora não, posto não ser hora.
Em livre canto, dança,
rebolado que me falta,
- mais que livres!
Eis me inteiramente mastigado.
Teus atos mastigam
Neurônios sem pena.
Eu sei, nada são além de atos feitos,
repetidos e passados pra trás
por outros atos iguais.
Mas mastigam, instigam
e, quem sabe,
até reflitam dores de outrora.
Que ao menos os rumine insistente
em poemas!
Preciso, de fato,
voltar a escrever.
segunda-feira, 10 de outubro de 2011
Distante que só,
um filete de pensamento
se esvai do estudo imperioso
e dança uma balada
b side of Caetano Veloso.
"Show me from behind the wall"...
E eu realmente quis que me mostrasse
ainda que hesitante.
Ante a frouxidão
de meus atos comedidos
O disco é transa de êxito incerto.
Com ternura,
quis comê-la a cada
vez que ouço a faixa
número 1.
terça-feira, 28 de junho de 2011
-Tapem suas narinas!
Entra pela porta de trás
o inimigo desconhecido
e subitamente odiado.
Ele cheira a falta de banho
e fede a falta de alma.
Seus cabelos são negros,crespos
e revoltos como os meus,
sua barba farta
vence meus poucos pêlos.
É tão pouco como todos.
Mas fede a falta de banho
e cheira a falta de alma.
segunda-feira, 18 de abril de 2011
Entre flores e fogo
e os gesto do povo
e a lama que cobre o morro
Um riso dentuço
me deixa confuso
e faz querer ser bem mais
Dias passam cansados
de misturar o hoje e o passado
o amante jaz derrotado
Um riso dentuço
me deixa confuso
e faz querer ser bem mais
mas se,
mas se.
