terça-feira, 3 de agosto de 2010

Invejoso

Quarta
um dia com cara
de quarta
e as formigas arrastam um espinhaço de peixe na parede

Vejam
um espinhaço de peixe na parede

Invejoso que só
- ai como se concentram indiferentes!
me deixo atrapalhar pelo
pop brega internacional do vizinho

Acato a pausa forçada
me aproprio do refresco
e passeio provocado pela rede

Eis o embalo!,
eis o amparo...

Desejos ?
sonhos ?
poesia .

quarta-feira, 30 de junho de 2010


Como lá me vou
saber se entretudo ou entrenada
entralguma coisa?

Apostarei, entretanto
ser um quase-convite à teorização dos dizeres do poeta-mirim da rua 14:
"um fuio dentro doutro fuio".

Ainda não estou tão tanto.

Se são só umas três palavras sábias de
vago sentido
ou de presunção da nossa burrice alheia,
me questiono...

E lá como vou saber
se no final da reza elas dizem
nada!?

Metafísica íntimo-literária,
na pós-modernidade, irmão,
é só mais uma espécie de tagarelismo sentimental.

- Não me implore comentários.

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Cogitabundo


Tanta coisa a fazer e
hoje me vesti de poeta cogitabundo.

Sentei na praça pra ver a rua passar
embalada,
é claro,
no gordo compasso de uma bela bunda.

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Supersonia

Dorme,
tanto que acorda já cansado.

Não é em noite que sonha
o tempo e a cidade
nem ao menos transmuta
agonia em ternura
amor e
versos.

Só dorme o sono pesado.
Tanto que acorda já cansado.

domingo, 23 de maio de 2010

Olimpo


Fácil admitir que
entre mim e o Olimpo
há uma escada de
cem muitos e sem degraus.

Pouco dinheiro,
falta de tempo,
Estou sempre quase-cansado
cabelos sem corte,
Dor-de-cabeça
e de simpatia não me sobra
quase-nada.

Pensar no Grande Desatino
custa tempo demais.

A canção não pára e a preguiça
a rede embala.

Aqui me reconcilio.

Não perder a poesia ao amar,
jamais.

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Manifesto Cotidianista II


Pela via contrária
busquei redizer minha
noite cansada
em poesia.

Pra que inventar
tanta pompa
na letra e juntar
palavra com burocracia?

No fundo foi só
dor-de-cabeça
desejo politicamente incorreto e
a santa punheta
de todo dia.

sábado, 8 de maio de 2010

Acorde


A dissonância de um acorde me tira
o sono intranqüilo.
À corda atento o movimento:
O som,
o ar que vibra.

Por entre reis e leis,
talvez.
Por entre o ás e o eu...

Já faz um tempo
e eu nem sei
bem bem por onde estive.

Mas eis que acordo dissonante,
cambaleante,
com uma camada de ar me arrepio e memorizo.
Tipo quem olha pra trás,
num desafio de si mesmo:
- Acorda!, é um sinal reconhecido.