sábado, 12 de julho de 2008
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Sejamos mais criativos e menos saudosistas, saibamos traduzir nossa era como merece ser traduzida. É tempo do digital, do caos urbano, do povo sem crença, do amores efêmeros, do desamor. Olhemos sim para o passado, mas como quem olha para algo que já foi superado. Contemplemo-lo a distância.
sexta-feira, 4 de julho de 2008
Numa bandeja me trouxeram
um copo cheio desse estado
de semi-demência.
(Mentiram-me ser um tônico)
Engoli.
Engasguei.
quinta-feira, 3 de julho de 2008
Eletro, ecocardiogramas. Normais.
Se passar do terceiro dia,
essa dor que invade meu peito
e me faz ver estrelas onde sequer há céu,
se passar do terceiro dia,
é amor.
quarta-feira, 2 de julho de 2008
Na sociedade pós-moderna, pois não apenas moderna.
Oi.
tudo bem?
tiamo,
tiau.
Sente.men(te).tiau.
sábado, 14 de junho de 2008
Na sina de viver só com migo,
sem amigo,
sigo
e consigo
viver a sina
de só
viver.
segunda-feira, 9 de junho de 2008
Vivo a poesia das cidades
escrita em flyers de supermercado, ganhos no sinal.
Descartável.
Escrevo, amasso e jogo fora -
pela janela do carro,
pra entupir bueiro.
Sento-me no banco do coletivo,
Muito na cabeça, barriga cheia de vazio.
Ao meu lado, uma senhora negra,
cuja expressão denunciava a vida. Magra.
Levada a muito sofrimento e pouco sustento.
- Desculpa perguntar, quantos anos?
-17.
- Meu neto tem 15 e já é quase do teu tamanho - maior que todos da família.
- É, lá em casa também é assim...
- Vendo pêtas, não quer um pacote?
- Quanto custa?
- Hum i vinticinco.
- Não, obrigado.
Ali findou aquele curto papo. Meu bolso acomodava uma única moeda de 1 real - edição comemorativa, 40 anos do Banco central. De nada me valia.
Que deus abençoe a inflação!
